As funções das barragens do DAEE

Equipamentos realizam operações diferenciadas para o monitoramento e aproveitamento da água

As barragens construídas pelo DAEE no Estado de São Paulo possuem múltiplas funções, a exemplo da maioria das barreiras artificiais que a engenharia edificou pelo mundo, entre elas duas principais: a contenção de enchentes e o abastecimento público para a RMSP (Região Metropolitana de São Paulo) e Interior.

São 11 as barragens do DAEE:

Barragem da Penha - localizada no rio Tietê, na altura da divisa entre São Paulo e o município de Guarulhos;
Barragem Móvel (conhecida como Barragem do Cebolão), também no rio Tietê, na altura da foz do rio Pinheiros;
Barragem de Ponte Nova – no rio Tietê, município de Salesópolis;
Barragem do rio Paraitinga – em Salesópolis;
Barragem do rio Biritiba – no município de Biritiba Mirim;
Barragem do rio Jundiaí – município de Mogi das Cruzes;
Barragem do rio Taiaçupeba - na divisa entre os municípios de Mogi das Cruzes e Suzano;
Barragem do Ribeirão dos Mottas – no município de Guaratinguetá;
Barragem do Ribeirão Taboão – no município de Lorena;
Barragem do Ribeirão Santa Lucrécia - em Lorena;
Barragem do Valo Grande – no rio Ribeira de Iguape – município de Iguape.

A Barragem da Penha e a Barragem Móvel foram construídas exclusivamente para controle da vazão do rio Tietê. Assim como as cinco barragens do Sistema Alto Tietê - Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí, Taiaçupeba - foram inicialmente projetadas com a finalidade de reter a água, antes que chegue à cidade de São Paulo, já que se localizam na cabeceira do rio Tietê.



Barragem de Ponte Nova, em Salesópolis


Com o crescimento das cidades, no entanto, esse conjunto vem cumprindo o papel de manancial para abastecer as zonas residenciais, a indústria e o cinturão verde em torno de São Paulo. Neste caso, a operação desses equipamentos é realizada em parceria com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), responsável pelo fornecimento de água para as indústrias, agricultura e residências, durante o ano inteiro. Técnicos dos dois órgãos avaliam o procedimento mais adequado em épocas de cheias e estiagem, já que é preciso reter a água durante a temporada do verão - quando chove muito – e escoá-la no período de estiagem, aumentar o nível do reservatório para o fornecimento do produto.

As barragens na RMSP

Em fevereiro de 1964, por meio do DAEE, o Governo do Estado deu início às obras recomendadas pelo chamado Plano Hibrace (Consórcio Hidroservice-Brasconsult-Cesa), sendo a primeira para aproveitamento múltiplo dos recursos hídricos da Bacia do Alto Tietê. Nesta etapa contratou o levantamento aerofotogramétrico (cobertura aerofotográfica executada para fins de mapeamento) da várzea do Tietê na Grande São Paulo.

O objetivo era medir a influência da barragem nas várias condições de escoamento do canal, além de detectar os diversos trechos de obstrução, de modo a definir-se as dimensões e a formatação do canal para um rebaixamento eficiente da linha de água.

Foram então analisados, o prosseguimento da retificação a jusante (abaixo) do município de São Paulo; a desobstrução e conservação do canal, no trecho retificado pela prefeitura, com trabalhos de desassoreamento contínuo e permanente; a construção de barragens regularizadoras nas cabeceiras do rio e em seus principais formadores que, além de regularizarem parcialmente as vazões, permitiriam que suas águas fossem aproveitadas para irrigação e abastecimento; e retificação do trecho a montante (acima) do rio Cabuçu de Cima.

Uma vez elaborado o projeto de retificação, o segmento entre a ponte velha de Osasco e a barragem Edgard de Souza foi dividido pelo DAEE em cinco trechos. Os quatro primeiros, até a corredeira do Penteado, seriam retificados. O último (o quinto trecho), apenas melhorado nas suas curvas e removidas as ilhas que interferiam no escoamento das águas. Esse trecho, para atender futura navegação comercial do rio, foi também retificado. Com a conclusão das obras, em 1977 concretizou-se o primeiro item indicado no Plano Hibrace.

Paralelamente aos trabalhos de retificação de jusante - em cumprimento ao segundo item do Plano Hibrace, no trecho retificado no município de São Paulo - foram localizadas e removidas lajes rochosas, pontes antigas e outros obstáculos que dificultavam o livre escoamento das águas do rio.

Para a terceira ação, foram projetadas nas cabeceiras do rio cinco barragens, com múltiplas finalidades: regularização do rio, abastecimento de água, irrigação, a recuperação de várzeas, piscicultura e lazer. Em sequência às recomendações do Plano Hibrace, o DAEE estudou a retificação do rio a montante tendo, inclusive, desenvolvido os trabalhos em relação ao anteprojeto.

O início das obras, em cumprimento ao quarto item das recomendações do Plano Hibrace - aliado ao consenso da necessidade de preservação do meio ambiente que se desenvolvia acentuadamente em alguns círculos intelectuais do País - deram origem a ideia de implantação de um parque ecológico nas margens do rio. Por outro lado, a preservação da várzea - leito maior do rio - é de fundamental importância na atenuação dos picos de enchentes. Dessa forma, foi criado por decreto em 1976 - e inaugurado em 1982 - o Parque Ecológico do Tiete.

BARRAGENS DO SPAT (Sistema Produtor do Alto Tietê)

Ponte Nova:

Local: Rodovia Prof. Alfredo Rolim de Moura, Km 80,0 - Bairro do Alegre, Município: Salesópolis Concluída: 1971.
Área de drenagem: 320 Km²
Área de inundação: 28,078 Km²
Volume útil do reservatório: 289,9148 x 106 m³
Nível máximo normal: 770,00 m
Nível máximo Maximorum: 773,00 m
Nível mínimo: 755,00 m
Cota da Crista: 776,00 m
Comprimento: 934,00 m
Largura 10,00 m
Altura máxima: 41,00 m
Volume de escavação: 1.300.000 m³
Volume de aterro: 4.000.000 m³

Taiaçupeba:

Local: Rodovia Engº. Candido do Rego Chaves, n.º 3500 - (SP 39 km 49,00) - no Bairro de Jundiapeba, Município de Mogi das Cruzes
Concluída: 2008 (fechamento definitivo)
Área de drenagem: 224 Km²
Área de Inundação: 19,36 Km²
Volume útil do reservatório: 85,2012 x 106 m³
Nível máximo normal: 747,21 m
Nível máximo Maximorum: 749,33 m
Nível mínimo: 739,50 m
Cota da Crista: 751,50 m
Comprimento: 3040,00 m
Largura 8,00 m
Altura máxima: 20,50 m
Volume de escavação: 700.000 m³
Volume de aterro: 2.400.000 m³

Jundiaí:

Local: Rodovia Francisco Ribeiro Nogueira, Km 70,0 – Bairro das Aroeiras, Município de Mogi das Cruzes. Concluída: 1989.
Área de drenagem: 116 Km²
Área de inundação: 17,424 Km²
Volume útil do reservatório: 74,0931 x 106 m³
Nível máximo normal: 754,50 m
Nível máximo Maximorum: 756,76 m
Nível mínimo: 748,42 m
Cota da Crista: 758,00 m
Comprimento: 690,00 m
Largura: 10,00 m
Altura máxima: 23,00 m
Volume de escavação: 1.476.000 m³
Volume de aterro: 1.925.000 m³

Biritiba:

Local: Rodovia Prof. Alfredo Rolim de Moura, Km 67,0 – bairro do Sogo, neste ponto entra-se a direita na Estrada do Sogo, até o Km 7,5.
Concluída: 2001
Área de drenagem: 75 Km²
Área de inundação: 9,244 Km²
Volume útil do reservatório: 34,7601 x 106 m³
Nível máximo normal: 757,54 m
Nível máximo Maximorum: 758,70 m
Nível mínimo: 752,50 m
Cota da Crista: 760,00 m
Comprimento: 535,00 m
Largura :10,00 m
Altura máxima: 26,00 m
Volume de escavação: 714.299,05 m³
Volume de aterro: 835.485,33 m³
Rip Rap: 11.847,10 m³
Volume de concreto: 1.934,99 m³

Paraitinga:

Local: Rodovia Prof. Alfredo Rolim de Moura, Km 81,5 – Bairro dos Remédios, neste ponto entra-se a esquerda, na estrada do Serrote até o Km 1,5 - no município de Salesópolis.
Concluída: 2003
Área de drenagem: 184 Km²
Área de inundação: 6,437 Km²
Volume útil do reservatório: 36,7287 x 106 m³
Nível máximo normal: 768,73 m
Nível máximo Maximorum: 771,10 m
Nível mínimo: 756,00 m
Cota da Crista: 773,40 m
Comprimento: 425,00 m
Largura: 8,00 m
Altura máxima: 28,00 m
Volume de escavação: 978.230 m³
Volume de aterro: 1.001.495 m³

Canal de Interligação

As barragens do Alto Tietê possuem um canal de interligação criado com o propósito de abastecimento público para a RMSP, com obras iniciadas em 13 de julho 1990 e o término de sua construção em 31 de outubro 1992.

A sua principal atividade é controlar o volume de água dentro das barragens de Ponte Nova, Paraitinga e Biritiba que passam pelo canal, e toda água acumulada por este processo, de maneira a chegar na barragem de Taiaçupeba para distribuição e abastecimento para toda a região de cobertura das barragens.

Além das barragens do Sistema Produtor do Alto Tietê, temos:

Barragem da Penha:

Local: marginais do rio Tietê até a Av. Guarulhos (margem direita) e, a partir daí, por vias urbanas, ou ainda na margem esquerda através da Via Parque
Concluída: 1983
Barragem: maciço de concreto, soleira vertedouro de 64,00 m de largura, de 07 (sete) vãos, com 82 m de comprimento.
O menor dos vãos do maciço, de 4,00 m de largura, funciona como vertedor livre com soleira na cota 722,00 m (em relação ao nível do mar), tendo sido concebido para o escoamento das vazões mínimas de estiagem. Os 6 vãos restantes, com 10,00 m de largura cada, estão equipados com comportas tipo Clapet, assim constituindo a barragem móvel, cada comporta deverá operar nas posições de totalmente fechadas (levantadas), ou totalmente abertas (abaixadas), neste último caso, as comportas encaixam-se no maciço de concreto fazendo com que o escoamento se processe sobre uma soleira com perfil tipo Creager, na cota 721,00 m.

Barragem do Valo Grande

O empreendimento conhecido por Barragem do Valo Grande se diferencia dos demais em termos de concepção e de finalidade. O barramento foi executado em 1977/78 para fechar o leito do canal denominado Valo Grande, na zona urbana de Iguape, no município de mesmo nome. O Valo Grande liga o rio Ribeira de Iguape ao Mar Pequeno, e foi executado em meados do século IX para encurtar em cerca de 60 km a distância de transporte entre o bairro Três Barras e o então Porto de Iguape, situado no Mar Pequeno.

Antes da abertura do canal, a viagem era feita percorrendo parte pelo leito original do rio e parte pelo Mar Pequeno. A barragem foi construída com os objetivos de:

a) evitar a descarga contínua de água do Ribeira de Iguape para proteção ambiental do Mar Pequeno;

b) interligar a rodovia SP-222, onde a travessia era feita por balsa;
c) evitar a erosão contínua das margens.
Com o barramento, porém, começaram a ocorrer inundações em áreas ocupadas por agricultura e áreas urbanas, dada a incapacidade de drenagem do leito antigo do Ribeira de Iguape, por este estar assoreado devido ao longo período de permanência com vazão, que passou a veicular preferencialmente (estima-se cerca de 60% do total) pelo Valo Grande.

Como solução para atender de forma conciliadora os conflitantes interesses de, por um lado, à necessidade de mitigar os impactos das cheias à montante da obra e, de outro, possibilitar a proteção ambiental da região do Mar Pequeno, à jusante, o DAEE contratou, em 1980, estudos para melhor avaliação dos impactos socioeconômicos e ambientais devidos à obra.

Dentre as diversas alternativas estudadas, foi aprovada pelo CEEIGUAPE (Comitê Executivo de Estudos Integrados da Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape) a que contempla a implantação de mecanismo de controle de vazão, de tal forma que as águas sejam barradas durante as estiagens, para proteção ambiental à jusante, e maximizada a capacidade de drenagem, para diminuir os problemas advindos das cheias à montante.

Local: Iguape/ canal artificial Valo Grande
Quantas comportas: 18
Vertedouro: controlado por comporta
Eclusa para pequenas embarcações (dimensões da câmara da eclusa: 5x15m)
Vazão regularizadora: capacidade máxima de vazão: 1.600 m3/s
Quando foi construída: Barragem (1977/78); Vertedouro (1990/1992)

Barragens do Vale do Paraíba

A barragem do Ribeirão dos Mottas (Guaratinguetá) e as barragens do Ribeirão Taboão e do Ribeirão Santa Lucrécia (Lorena), foram construídas na década de 1950 com a função de regularização desses cursos d’água.