Interligação Jaguari-Atibainha atinge 80% de conclusão com encontro de túneis



Governador Alckmin e secretário Benedito Braga visitam obra que amplia disponibilidade de água para mais de 20 milhões de pessoas na Grande SP e Vale do Paraíba



Entrou na reta final a obra da Sabesp que ligará as represas Jaguari e Atibainha e que ampliará a disponibilidade de água para abastecer a população da capital, da Grande São Paulo e do Vale do Paraíba. Foram escavados hoje os últimos três metros de rocha que separavam duas frentes de trabalho em operação a 50 metros abaixo do nível do solo. Com isso, foi concluído um trecho de 3 km do túnel por onde a água passará entre uma represa e outra.



O marco eleva o cronograma da obra para 80% de sua conclusão. A escavação que concluiu esse trecho do túnel foi acompanhada pelo governador Geraldo Alckmin, pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, e pelos diretores Edison Airoldi e Paulo Massato, da Sabesp.

A escavação é uma das etapas mais complexas de todo o trabalho envolvido na interligação das bacias hidrográficas do Cantareira e do Paraíba doSul. O que a torna singular são as dimensões do túnel: são 6,4 km de extensão, cinco metros de altura e quatro metros de largura, totalizando uma seção de 20 metros quadrados. Além desses 3 km concluídos hoje, outra parte do túnel segue sendo escavada. Quando totalmente concluído, ele permitirá transportar o equivalente ao volume de água de uma piscina olímpica em apenas cinco minutos.

Para ter uma ideia do tamanho do desafio, foi feito um acesso na metade do percurso a ser vencido, de modo a construir a tubulação com quatro frentes de trabalho, ao invés de duas. Assim, cada metade do túnel começou a ser construída pelas pontas e pelo meio, simultaneamente, desde 2016, quando o projeto foi iniciado.

A escavação de hoje ocorre no trecho noroeste do túnel, onde está a represa Atibainha, parte do Sistema Cantareira, em Nazaré Paulista. Já o trecho sudeste fica mais próximo da represa Jaguari, parte do Paraíba do Sul, entre os municípios de Igaratá e Santa Isabel. Este outro trecho, com dimensões aproximadamente idênticas ao primeiro, continua sendo escavado e ainda requer a detonação de mais 550 metros de rocha para o encontro das outras duas seções restantes. Todo esse trabalho é necessário para vencer uma barreira geográfica de quase 260 metros de altura, a Serra do Ribeirão Acima.

Para o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, o encontro dos túneis da interligação Jaguari-Atibainha demonstra o alto grau de profissionalismo e experiência das equipes da Sabesp. “Este é mais um grande exemplo da excelência da Sabesp naquilo que faz, vencendo obstáculos aparentemente intransponíveis com muita tecnologia e inovação”, ressalta.

No canteiro há dez equipes de trabalho com cerca de 30 homens cada, divididas em três turnos de trabalho, que é organizado em etapas. São elas, pela sequência: aplicação dos sistemas de suporte, perfuração, carregamento, detonação, ventilação, limpeza e bate-choco; sendo esta última uma etapa de limpeza mais refinada, onde o profissional certifica-se de que as arestas do túnel foram aparadas e a área segura e pronta para um novo ciclo de detonação.

Diferente das obras do metrô, onde é usado o shield, conhecido como “tatuzão”, as escavações nessa interligação usam o novo método austríaco de tunelamento (NATM, na sigla em inglês), que emprega sistemas de suporte com concreto projetado associado a outros tipos de apoio como cambotas metálicas e fibras de polipropileno no concreto, entre outras, realizando uma escavação sequencial, de acordo com a capacidade de cada tipo de maciço. Dentre os principais equipamentos envolvidos na operação está o Jumbo, responsável pela perfuração em rocha.

O processo de escavação do túnel conta com mais de 160 profissionais, entre engenheiros, geólogos, marteleteiros, encarregados de frente, motoristas, eletricistas, técnicos de meio ambiente, de qualidade e de segurança. São três turnos de trabalho de 8 horas cada, abrangendo 24 horas de serviço. Ao todo, a interligação Jaguari-Atibainha emprega 5,3 mil funcionários diretos e indiretos. Além do túnel, há ainda o assentamento de 13,2 quilômetros de adutoras, a construção de uma estação elevatória de água bruta (responsável por captar a água na represa e bombeá-la em direção ao tratamento) e uma subestação de energia elétrica.

Quando estiver concluída, a interligação permitirá transferências de água a uma vazão máxima de 8.500 litros por segundo da represa Jaguari para a Atibainha, e de 12.200 litros por segundo no sentido contrário. Na prática, isso significa que fenômenos como escassez ou excesso de água serão administrados com mais precisão e antecedência, garantindo assim o abastecimento de toda a população atendida pelos dois sistemas, estimada em mais de 20 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo e no Vale do Paraíba.

A interligação Jaguari-Atibainha é uma obra prioritária da Sabesp para garantir o abastecimento à população, ao lado do novo Sistema Produtor São Lourenço e da captação no rio Itapanhaú. Trata-se da primeira obra de saneamento no Brasil sob o Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O investimento de R$ 555 milhões é financiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As obras são executadas pelo consórcio BPC, constituído pelas empresas Serveng/Civilsan, Engeform e PB Construções.

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