DAEE solta peixes em Mogi das Cruzes

O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) realizou ontem, 24/5, nova soltura de peixes, na área do Núcleo de Educação Ambiental Ilha Marabá, em Mogi das Cruzes. A ação foi precedida de uma palestra para professores e representantes de escolas da região, na qual se discutiu a necessidade da reintrodução de espécies de peixes cujas populações foram reduzidas, devido aos impactos ambientais gerados pela construção de barragens.


Professores e coordenadores de escolas da região soltam peixes no Rio Tietê.  


O dia marcou também a abertura da Semana do Meio Ambiente na cidade e contou com a presença de professores e representantes de escolas da região. O evento, em parceria com a Universidade de Mogi das Cruzes, começou às 9h com a explanação As Cabeceiras do Rio que não Morreu: os Peixes do Tietê, ministrada por Alexandre Hilsdorf, professor universitário. A palestra abordou a importância dos rios na vida das pessoas de uma cidade. Para Hilsdorf, “na contemporaneidade muitos veem o rio como depósito de resíduos – mero esgoto –, e não como um bem que deve ser aproveitado e protegido”.

A interação com o Rio Tietê, por exemplo, que no início do século XX era grande, praticamente deixou de existir.Hilsdorf salientou ainda a importância das barragens no Alto do Tietê – que garantem água às torneiras de milhares de casas paulistas, bem como conforto e bem estar. Entretanto, tais construções também impactaram na biodiversidade dos rios, reduzindo o número de peixes, como a tabarana. Então, como medida mitigadora de compensação ambiental, o DAEE criou, em parceria com a UMC, o Projeto Tabarana, que mantém matrizes de tabaranas, lambaris e, mais recentemente, de traíras, na Estação de Piscicultura de Ponte Nova.

Estas matrizes geram, por ano, cerca de 20.000 alevinos de lambari e 3.000 alevinos de tabarana, que são soltos nos rios Paraitinga, Claro e Tietê.O projeto, portanto, realiza a reprodução artificial dos peixes e faz dois tipos de repovoamento – um efetivo e outro que visa educação ambiental. No primeiro caso, há o monitoramento para perceber se o peixe se restabeleceu no rio ou não. Enquanto no segundo caso, a Estação de Piscicultura de Ponte Nova é apresentada às crianças – que, posteriormente, têm a oportunidade de realizar a soltura de alguns peixes. De acordo com Alexandre Hilsdorf, esta soltura simbólica feita por crianças é muito importante, uma vez que cria vínculos afetivos entre elas e o meio ambiente.

Este trabalho, realizado desde 2002, originou o livro Peixes das Cabeceiras do Rio Tietê e do Parque das Neblinas, de Hilsdorf e Alexandre Marceniuk, que registrou 56 espécies de pequenos peixes, coletados nas cabeceiras do Rio Tietê. A pesquisa culminou, inclusive, na descoberta de uma espécie denominada Cará-verde, além de uma nova espécie de lambari. Exemplares deste livro foram doados às bibliotecas de escolas da região. “Amei a iniciativa. Sou muito grata pela oportunidade de aprender tudo o que aprendi, além de ser multiplicadora disso tudo lá na Secretaria Municipal de Educação de Poá”, afirmou a chefe de projetos educacionais, Francisca Amabis Moraes.

Às 11h, todos os participantes prestigiaram a soltura de 2.000 lambaris e 30 tabaranas, num trecho do Rio Tietê que corta a Ilha Marabá. Segundo Marcos Daniel Renó de Faria, biólogo do DAEE, este trecho do rio já recebe resíduos de esgoto, o que pode comprometer a qualidade das águas, as chamadas solturas efetivas ou mesmo a sobrevivência de um número maior de tabaranas. A imprensa local fez ampla cobertura do evento.


 Reprodução de Tabaranas em viveiro do DAEE



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