Aprofundamento da Calha do Tietê



Em fins do século XX, mais exatamente no ano de 1995, o Governo do Estado de São Paulo decidiu investir na ampliação e aprofundamento da calha do rio Tietê, como uma das ações de implementação no combate às enchentes na cidade e toda a RMSP. Por meio do JBIC (Japan Bank for InternationalCooperation) contraiu financiamento com o governo japonês dando início às obras, queseriam executadas pelo DAEE, autarquia responsável pelo projeto de melhorias no Tietê, no sentido de controlar seus transbordamentos, assim como desenvolver os serviços de desassoreamento e limpeza. 


O projeto de melhorias para o rio foi dividido em duas fases. Na Fase I (entre 1998 e 2000), o DAEE fez intervenções a jusante da confluência Pinheiros -Tietê, onde está localizado o complexo viário denominado Cebolão. Na fase II (entre 2002 e 2005), foram executadas obras em 24,5 quilômetros, que vão desde o Cebolão até a Barragem da Penha.





Fase I

Com a implantação da primeira parte do projeto de ampliação e rebaixamento da calha do Tietêhouve um incremento de mais de 40% na capacidade de vazão do rio, além de livrar da ocorrência de enchentes pontos das regiões situadas nos municípios de Osasco, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba, na Bacia do Baixo Tietê.A conclusão das barragens de Ponte Nova, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí eTaiaçupeba permitiu a contenção de enchentes, provocadas pelo Tietê, na área de Mogi das Cruzes.

Por outro lado, a construção dessas cinco barragens/reservatórios visavam o abastecimento público e elas vêmcumprindo, portanto, a missão de alimentar,de água, o Sistema Produtor do Alto Tietê,notadamente a região leste da cidade, evitando o rodízio no fornecimento em épocas de estiagem.

Nessa Fase I, deu-se a conclusão do aprofundamento de 16,5 quilômetros da calha do rio Tietê, numa média de 2,5 metros de rebaixamento, entre o “Cebolão” e o lago da barragem Edgard de Souza, executada parcialmente no final dos anos 80 e retomada após a obtenção do financiamento com o Japan Bank, em janeiro de 1998. Sua conclusão ocorreu em dezembro de 2000.

O projeto contemplou ainda, as obras de canalização do Rio Cabuçu de Cima, entre a foz no Rio Tietê e a Ponte Três Cruzes.

Importante ressaltar, que o crescimento urbano desordenado e a desmedida impermeabilização do solo nos municípios exigem a complementação dessas iniciativas, de período em período, seja por meio da construção de novos piscinões, canalização de rios e córregos, além de outras intervenções.

Fase II

O governo do Japão aceitou, em setembro de 2000, incluir um novo trecho do Tietê no financiamento dado pelo JBIC. Assim, o Estado de São Paulo e o Japan Bank for InternationalCooperation promoveram o aporte para as duas fases da obra, sendo 75% por conta do financiamento e 25% por conta do Estado. Era preciso resolver o secular problema das enchentes na cidade.

Os trabalhos iniciados em abril de 2002 (compreendidas na Fase II), resultaram na remoção de cerca de 6,8 milhões de m³ de solo e rochas, resultando num aprofundamento médio de 2,5 metros. Com a ampliação da largura do canal entre 41 e 46 metros, a vazão do Tietê aumentou de 640 para 1060 m³/s, na altura do Cebolão.

O projeto, cuja extensão é de 24,5 km, foi realizado em quatro frentes: da foz do rio Pinheiros até 600 metros acima da ponte do Piqueri; deste ponto até à foz do rio Tamanduateí; da foz do Tamanduateí até 350 metros abaixo da Ponte do Tatuapé, próximo ao acesso à via Dutra e via Fernão Dias; e o último trecho até à Barragem da Penha.

Os objetivos da Fase II, além do controle das enchentes, foi o de melhorar as condições de escoamento de 66 afluentes e cerca de 600 galerias de drenagem e/ou tubulações; gerar maior segurança nas marginais com a implantação de barreiras rígidas de concreto; 61 baias e drenagem da pista; oferecendo melhorias visuais (paisagismo) e facilitando serviços de desassoreamento futuros. As obras foram concluídas em 2005.