CRAS - Centro de Recuperação de Animais Silvestres


Há 25 anos, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) administra o CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres), que fica dentro do PET (Parque Ecológico do Tietê). Diversas espécies chegam ao local pelas mãos de profissionais ligados ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros e o Centro de Controle de Zoonoses. Em alguns casos especiais, estes são doados por seus proprietários, que os mantém em cativeiro como bichos de estimação.

A unidade realiza um importante papel em prol do meio ambiente, pois trata de animais apreendidos ou resgatados pelos órgãos fiscalizadores. Inaugurado em 1986, o CRAS cuida de várias espécies, desde as mais comuns até as ameaçadas de extinção. Anualmente, recebe a média de sete mil bichos, sendo que as aves representam 84% desse total, a maioria encontrada com traficantes ou viviam em cativeiros clandestinos.

Após a recepção, mamíferos, répteis e aves são identificados por espécie, sexo e procedência, passam por uma avaliação de seu estado físico para obter o tratamento mais adequado e são registrados para, finalmente, receberem uma anilha ou microchip com seus dados. Vale ressaltar, que o núcleo atende apenas animais de pequeno porte, tais como araras, papagaios, gavião, macacos, cobras, tartaruga e jabotis, além de muitos pássaros.

Para atender a demanda dos bichos enviados para o CRAS é mantida uma equipe composta por veterinários, biólogos e tratadores em uma estrutura totalmente adaptada com ambulatório e laboratório, viveiros, salas de internação, cirurgia e de necropsia, além de cozinha para o preparo da alimentação animal, ocupando uma área total de 600 mil metros quadrados.


Maus tratos

Muitas espécies chegam ao Centro de Animais Silvestres do DAEE em péssima condição física. Existem macacos, por exemplo, cujos dentes foram cerrados e até arrancados, passarinhos com os olhos queimados por cinza de cigarro (para “ficarem mansos”) e aves com asas quebradas. Após a profilaxia inicial, eles são colocados em quarentena e depois avaliados para soltura em áreas do próprio Parque Ecológico do Tietê ou em programas específicos em regiões monitoradas pelo IBAMA. Para tanto, têm de estar em perfeitas condições de sobreviverem na natureza, com plena autonomia.


Soltura dos bichos

Durante o período em que recebem o tratamento, a equipe técnica estuda o melhor destino para os animais, que poderá ser desde um criadouro registrado pelo IBAMA, um centro de pesquisa, um zoológico ou até mesmo a liberação em seu ambiente natural em áreas de soltura e monitoramento próprios. Em relação às espécies ameaçadas de extinção há um cuidado especial, pois como estão sob risco de desaparecerem da natureza, os locais de destino precisam ser planejados, a fim de que não sofram as ameaças do ambiente. Penas completas, peso e o restabelecimento das condições de vôo fazem parte do check-in para soltar as aves. Os mamíferos precisam exibir pelagem em bom estado, peso e locomoção normal e, os répteis, mostrar ótima escama ou placas córneas íntegras, postura e locomoção. Já os animais que não reúnem condições de voltar à natureza, devido à perda do instinto silvestre ou por apresentarem condições de mutilação, seguem para os criadores legalizados, assim como as espécies que sofrem com ameaça de extinção como, por exemplo, a arara azul.


O Tráfico de Animais e o CRAS

O tráfico de animais silvestres é o terceiro comércio ilegal do mundo ficando atrás somente das armas e entorpecentes. Essa atividade movimenta no Brasil um bilhão de reais por ano e promove a captura de cerca de 38 milhões de espécies na natureza.

Os traficantes usam diferentes métodos de camuflagem e de transporte dos bichos para escaparem da fiscalização. Daí porque aves, répteis e mamíferos passam fome, sede e frio, são anestesiados para que não se movimentem e pareçam mansos, colocados em recipientes pequenos e fechados.

Quando são recolhidos pela fiscalização, os bichos encontram-se em péssimas condições de saúde: muitos morrem, outros têm sua vida comprometida devido às lesões que sofrem. Estima-se que, a cada dez animais retirados do seu ambiente natural pelo tráfico, apenas um chega ao seu destino final.

No Brasil, as principais rotas de tráfico partem das regiões Norte (AM e PA), Nordeste (MA, PI, PE e BA) e Centro-Oeste (MG e MS) para serem vendidos em feiras livres no Sudeste (SP e RJ) e Sul (PR e RS). Muitos são exportados pelos principais portos e aeroportos para colecionadores, indústrias farmacêuticas e “pet-shops” de países como os Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Suíça, Japão e Cingapura.

Além do tráfico, a devastação das florestas, os incêndios criminosos e a introdução de espécies exóticas (provenientes de outros países ou outras regiões brasileiras) comprometem a vida da fauna, podendo levá-las a extinção. Atualmente, existem no Brasil 627 espécies ameaçadas de extinção, segundo a lista oficial do IBAMA.


Como denunciar o tráfico ilegal?

- IBAMA: (11) 3066-2633 ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
- Polícia Ambiental: 0800-55-51-90 ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
- Polícia Federal: (61) 311-80000 ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.