Parque Nascentes do Tietê

Qualquer cidadão, paulistano ou não, sente-se gratificado ao observar fotografias históricas da nascente do rio Tietê. Sua descoberta e seu tombamento instigam a memória e retratam a evolução da sociedade paulista. Em 11 de novembro de 1988, o Governo do Estado de São Paulo criou o Parque Nascentes do Tietê - por meio do Decreto Estadual 29.181 - que, em 1993 passa a ser administrado pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). Finalmente, em 1996, é inaugurado oficialmente pelo então governador Mário Covas.

A história da descoberta da nascente começou durante a comemoração do IV Centenário de São Paulo, em 1954. A Sociedade Geográfica Brasileira organizou uma expedição pelo rio Tietê, com o objetivo de revelar ao Estado uma grande descoberta: onde nascia o rio. Após estudos e mapeamentos, chegou-se a fonte, no município de Paraibuna (conforme documentos da época), em terras pertencentes a Joaquim Antônio Pinto, mais conhecido como “Joaquim Chaves”, pecuarista da região. Paraibuna faz divisa com Salesópolis, que hoje, abriga oficialmente a nascente.

O tombamento da nascente, pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio, Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), de trajetória feliz - voltada para a recuperação e preservação de um bem tão importante -, ocorreu em 21 de fevereiro de 1990. A área, que passou por herança à Deolinda Maria Francisca Pinto, esposa de Joaquim e, posteriormente, com seu falecimento, aos seus oito filhos - sob a responsabilidade da filha Terezinha Pinto Ramos - foram efetivamente desapropriadas em 1996, para a implantação do Parque Nascentes do Tietê.

Em 22 de setembro de 1996, Dia do rio Tietê, foi inaugurado oficialmente o núcleo e assinado o convênio para implantação do parque, parceria entre o Governo do Estado (por meio do DAEE); a Fundação SOS Mata Atlântica (núcleo União Pró - Tietê); o GENT (Grupo Ecológico Nascente do Tietê); o Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) de Salesópolis; o Bioma (Educação Ambiental); e a empresa Dixie–Toga (fábrica de embalagens).

Todo o processo ressaltou a necessidade de recuperação dessa área de Mata Atlântica degradada por dois ciclos econômicos principais: primeiramente, o corte de madeira para utilização do carvão em siderúrgicas e, depois, a devastação da mata para pastagens. Após o tombamento, a recuperação da área vem ocorrendo satisfatoriamente, e que essas antigas pastagens foram cedendo lugar a nova vegetação, em alguns locais até com indícios de mata primitiva.



Atualmente, com 1,34 milhão de m², o Parque Nascentes do Tietê preserva e valoriza a nascente do rio e a diversidade da flora, da fauna e características de seu entorno, permitindo que a sociedade usufrua desse exemplo de recuperação, como importante aprendizado de educação ambiental.

O parque encontra-se em área coberta por Mata Atlântica, com diversidade de plantas e animais. Possui como atrativos a observação das nascentes do rio Tietê; visitas monitoradas e educativas em quatro trilhas (da Nascente, da Araucária, da Pedra e do Bosque); um museu iconográfico com fotos sobre diversos aspectos do rio limpo ou muito poluído; o tempo em que era navegável abrigava competições; histórico sobre o rio; as cidades que percorre; a eclusa de Barra Bonita; e, ainda, uma sala das águas, onde através de vidros parecidos com tubos de ensaio, se analisa e observa a qualidade das águas.

Amostras de água do Tietê indicam também a cor da água que vai se alterando, de acordo com os municípios por onde o rio passa: Salesópolis, São Paulo, Pirapora, Salto, Tietê, Barra Bonita, entre outros. Atualmente, o Parque Nascentes do Tietê recebe mensalmente em torno de 2 mil visitantes.

O rio Tietê é um curso d’água atípico. Embora sua nascente se localize na Serra do Mar, a apenas 22 quilômetros do oceano, ele corre para o Interior por mais 1.100 quilômetros, até desaguar no rio Paraná, em Itapura, após banhar 62 municípios paulistas. Essa característica, que o distingue dos demais rios brasileiros, fez do Tietê a primeira rota de penetração para o interior do continente, já no início do século XVI, usada por aventureiros que desbravaram os sertões, fundando povoados ao longo de suas margens.

Detalhamento das atividades eco-pedagógicas ou de eco-turismo:

- Educação ambiental focando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo;
- Apreciar o verde da Mata Atlântica, observando ou estudando ao longo de três trilhas (Araucária, Pedra e Bosque) espécies como: samambaias, bromélias, quaresmeira, cedro;
- Ver a fauna, igualmente diversificada, onde encontram-se veados, cachorro-do-mato, insetos, anfíbios, répteis, aves, peixes, entre outros;
- Respirar o ar puro, sentir o clima da região (temperatura média de 18ºC, em Salesópolis); - beber água límpida e cristalina;
- Conhecer o museu, inaugurado no dia 22 de Setembro de 1997, Dia do Tietê, mostrando parte da história do rio, desde a nascente até a foz, em Itapura;
- Visualizar o nascimento de um rio.

As visitas ao parque acontecem diariamente, de segunda a domingo e feriados, das 8 às 17 horas. A entrada tem o valor de R$ 3 para manter os gastos do núcleo. Fica na Estrada do Pico Agudo, altura do km 6 no Bairro Pedra Rajada, em Salesópolis, a 96 km da Capital.


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(Histórico do Rio Tietê)



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