Clubes do Tietê

Na região da capital o rio permitia em muitos trechos a recreação, principalmente com os clubes localizados junto à Ponte Grande, durante muito tempo um “local pitoresco e aprazível”, onde grande parte da população desfrutou de momentos inesquecíveis. O Tietê ganhou fama como área de lazer, reunindo nos finais de semana centenas de pessoas ávidas por diversão.

O lazer combinava-se com a prática da pescaria e dos esportes aquáticos. Suas margens, acima de tudo eram um espaço de festa: piqueniques, partidas de futebol, serenatas, pescarias, esportes náuticos, como provas de remo e de natação. Situados junto à Ponte Grande, foram surgindo diversos clubes de regatas, atraídos pela beleza do local. Possuíam portões para embarque e desembarque em canoas, piscinas naturais e “cochos”, cercadinhos de madeira feitos dentro do próprio rio, perto da margem, nos quais instrutores dos clubes ensinavam crianças e adultos a nadar. 



O Clube Esperia foi inaugurado em 1º de novembro de 1899, por um grupo de 7 jovens italianos que freqüentaram a região da Ponte Grande, com a denominação de Societá Italiana di Canottieri – Club Esperia. Foi levantado na “Chácara da Floresta”, na margem esquerda do Tietê, oposta à atual localização; em 1903 ocorreu a mudança do clube para a outra margem, onde se encontra até hoje. 


Ainda no ano  de 1903 assiste-se à fundação da União Paulista dos Clubes de Remo, que em 1907 passou a se chamar Federação Paulista das Sociedades de Remo (FPSR), e em 1936 adotou o nome de Federação Paulista de Remo. 

O Clube de Regatas Tietê foi inaugurado em 6 de junho de 1907 por remadores e imigrantes portugueses. Em 29/09/1908, tornou- se a primeira associação de remo paulista a vencer uma prova no Rio de Janeiro. Em 25/01/1942, o Clube instituiu a Prova Clássica Fundação da Cidade de São Paulo, em comemoração à inauguração da Ponte das Bandeiras. 


Outros clubes foram fundados às margens do Tietê, como o Sport Club Corinthians Paulista em 10/09/1910, que tem um par de remos em seu escudo, lembrando a origem ligada ao rio; ou o Clube Esportivo da Penha, em 25/12/1935.

Com a construção das vias marginais, dos anos 40 até os 60, a harmonia existente entre os clubes e Tietê foi progressivamente destruída. O alto índice de poluição obrigou os clubes de remo a abandonarem as competições no rio. Este processo fez com que a cidade perdesse “o seu mais importante recurso natural”. As provas de remo foram transferidas para a Raia Olímpica de Remo da Universidade de São Paulo.

Ponte das Bandeiras: Inaugurada em 25 de janeiro de 1942, com uma solenidade que reuniu um desfile de 200 barcos de todos os clubes de remo da capital e de outras cidades, além de uma regata e ater o presidente Getúlio Vagas. A Ponte das Bandeiras foi construída em substituição à Ponte Grande, demolida anos antes. 

A margem esquerda do rio, no trecho próximo à ponte, era uma área dominada por chácaras. Na chácara do General Couto de Magalhães estavam instalados um observatório astronômico e o Museu Indígena.
 



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(O Tietê, por Fausto Nogueira)               (Retificação e Decadência)